Construir o aberto | SESC Barra Mansa – RJ

O Sesc Barra Mansa, através do edital Sesc Pulsar, apresentou “Construir o Aberto”, primeira exposição individual de Mariana Paraizo. Com curadoria de Ana Carla Soler e Julia Baker, a mostra reúne cerca de 30 obras, entre esculturas, fotografias, gravuras e desenhos, numa reflexão sobre os limites entre a casa e a rua, entre o doméstico e o público. A mostra amplia o acesso à arte contemporânea no interior do estado do Rio de Janeiro, apresentando trabalhos que já circularam por importantes instituições culturais no Brasil e no exterior.

Doutoranda e mestre em Linguagens Visuais, graduada em escultura pela UFRJ, Mariana Paraizo já expôs no Museu de Arte do Rio, no MAM Rio e seu trabalho artístico já circulou por países como Canadá, França, EUA, Haiti, Argentina, entre outros. Para o Sesc Barra Mansa, a artista traz uma obra inédita: “Domo Dromo” (1,60m x 2m x 20cm), um conjunto de delicadas cúpulas de lustre de vidro apresentadas com rodas, na forma de carrinhos, numa referência aos limites entre os espaços interior e exterior urbanos. Destaque também para “Amortecimentos” (20,5cm x 21,9cm), série de oito gravuras em relevo seco, impressas com pedaços de solas de tênis e outros sapatos encontrados na rua. Em “Condomínio” (1,80m x 1m x 1m), a artista apresenta uma instalação composta de dezenas de caixas de ovos feitas em argamassa e concreto, articula ideias de abrigo e moradia, fragilidade e resistência.

Entre os desenhos, destaca-se “Projeto para muro”, elaborado em giz pastel oleoso sobre papel (35 cm x 50 cm). Ao longo da mostra, Mariana Paraizo retira elementos banais do cotidiano de seus contextos habituais, provocando estranhamento e deslocamento de sentidos. Calçadas, bueiros e carros aparecem inesperadamente ao lado de camas, sofás ou tapetes. “Ao mesmo tempo em que encontramos signos do doméstico na rua, também levamos para dentro de casa questões que pertencem ao campo público. Meu trabalho fala desse atravessamento de fronteiras, desse movimento contínuo entre os territórios do íntimo e do público. É a inevitabilidade do desejo do desvio”, diz a artista, que participou de residências na FAAP, no Instituto Hilda Hilst e na Despina.

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